Toda vez que o maestro aciona um subagente, ele estĂĄ lendo um arquivo .md.
Esse arquivo tem duas zonas obrigatĂłrias: o
frontmatter (entre os trĂȘs traços ---)
e o corpo (tudo depois). A primeira zona configura o agente â diz o nome,
o gatilho, as ferramentas e o modelo. A segunda zona Ă© o cĂ©rebro â diz quem ele Ă© e o que faz.
Juntas, essas duas partes formam o subagente completo.
â A equação do subagente: frontmatter (config) + corpo (cĂ©rebro) = agente completo.
ConteĂșdo detalhado
đ O arquivo .md Ă© o subagente
Se vocĂȘ jĂĄ trabalhou com skills no Claude Code, jĂĄ viu a estrutura: um arquivo
Markdown com frontmatter no topo. Um subagente Ă© exatamente isso â um .md com
um frontmatter de configuração e um corpo de instruçÔes. Não é binårio, não é código compilado, não é plugin.
Ă um arquivo de texto que qualquer editor abre.
đ Por que isso importa
Quando o arquivo Ă© texto simples, vocĂȘ ganha trĂȘs coisas de graça:
- âąLegibilidade â vocĂȘ lĂȘ, entende e edita sem ferramenta especial.
- âąVersionamento â vai para o git junto com o projeto. Diff funciona.
- âąPortabilidade â copie a pasta
.claude/agents/para outro projeto e o agente vai junto.
đ Skill (.claude/skills/)
Invocada com /skill-name · mesmo modelo e ferramentas do chat · mesma janela de contexto.
đ€ Subagente (.claude/agents/)
Acionado pela description · janela própria · modelo e tools distintos · devolve só o relatório.
Um arquivo Markdown com frontmatter + corpo. A analogia com skill.md Ă© intencional â mesma estrutura, propĂłsito diferente.
Desmistifica o subagente. NĂŁo hĂĄ nada oculto: tudo que o maestro sabe sobre o agente estĂĄ nesse arquivo.
Arquivo .md · frontmatter YAML · corpo Markdown · versionåvel no git · portåvel entre projetos.
âïž Frontmatter (config) Ă corpo (cĂ©rebro)
As duas zonas tĂȘm responsabilidades completamente diferentes. O frontmatter Ă© lido pelo Claude Code para decidir se aciona o agente e como ele vai rodar. O corpo Ă© o prompt enviado ao modelo quando ele Ă© acionado â Ă© literalmente o "sistema" daquele agente. Confundir as duas zonas Ă© o erro mais comum ao criar o primeiro subagente.
âïž Frontmatter â o que faz
- âDefine o identificador do agente (
name) - âDescreve quando o maestro deve usĂĄ-lo (
description) - âLista as ferramentas permitidas (
tools) - âEscolhe o modelo que vai rodar (
model)
đ§ Corpo â o que faz
- âDefine o papel do agente ("You are a...")
- âDescreve os passos de execução
- âEspecifica o formato da saĂda
- âLista o que o agente NĂO deve fazer
đ Os 4 campos-chave do frontmatter
O frontmatter aceita muitos campos, mas quatro deles sĂŁo os que vocĂȘ vai escrever em todo subagente.
Os demais â color, memory,
disallowed-tools â sĂŁo opcionais e cobertos na Trilha 2.
Por agora, domine esses quatro.
name â identificador
MinĂșsculas + hĂfens, sem espaço. Aparece nos logs e no FleetView. Use nomes descritivos: code-reviewer > cr.
description â gatilho
O maestro lĂȘ este campo para decidir quando acionar o agente. Description vaga = agente nunca acionado. A Trilha 2 inteira Ă© dedicada a escrever boas descriptions.
tools â permissĂ”es
PrincĂpio do menor privilĂ©gio: agente leitor â Read, Grep, Glob. Agente editor â adicione Edit, Write. NĂŁo omita â sem declarar, herda tudo do maestro.
model â quem executa
MecĂąnico â haiku. AnĂĄlise â sonnet. RaciocĂnio estratĂ©gico â opus. Escolha intencional aqui economiza custo e tempo. Trilha 3 aprofunda.
đĄ Todos os campos disponĂveis
AlĂ©m dos quatro acima, o frontmatter aceita: color (cor no FleetView), memory (project/user/local/none), disallowed-tools (bloqueio explĂcito) e campos avançados de MCP. A documentação oficial lista todos â link no tĂłpico 6 deste mĂłdulo.
đ§ O corpo: as quatro seçÔes do cĂ©rebro
O corpo Ă© Markdown livre â vocĂȘ pode escrever o que quiser. Mas hĂĄ quatro peças que um corpo bem formado quase sempre tem. Pense nelas como as seçÔes de um briefing para um funcionĂĄrio novo: quem vocĂȘ Ă©, o que fazer, o que entregar e o que nunca fazer.
Papel (Role)
A primeira linha do corpo. Define a identidade do agente.
focused on security.
Passos (Steps)
O que fazer quando acionado, passo a passo.
1. Run git diff.
2. Read changed files.
3. Look for bugs.
SaĂda (Output)
Formato e conteĂșdo do que volta para o maestro.
issues. Include file path
and line number.
NĂŁo-fazer (Limits)
Fronteiras explĂcitas â o que o agente nĂŁo faz.
Do not open new files
beyond the diff.
â Corpo bem formado
- âComeça com "You are a..." â papel claro
- âPassos numerados, sem ambiguidade
- âInstrução de saĂda explĂcita (bullet, JSON, prose)
- âAo menos um "Do not..." para limitar escopo
â Corpo fraco
- âSem papel â o modelo improvisa a identidade
- âPassos vagos: "analise o cĂłdigo"
- âSem instrução de saĂda â o maestro nĂŁo sabe o que esperar
- âSem limites â o agente edita quando sĂł devia ler
đ Onde vive: .claude/agents â a ponte para a Trilha 2
O Claude Code procura subagentes em .claude/agents/ na raiz do projeto.
Ă uma pasta oculta, igual Ă .claude/skills/ que vocĂȘ jĂĄ conhece.
Qualquer .md salvo ali Ă© automaticamente carregado como subagente disponĂvel â
sem restart, sem comando de registro.
seu-projeto/
âââ .claude/
â âââ agents/ # subagentes do projeto
â â âââ code-reviewer.md # â aqui!
â â âââ test-writer.md
â â âââ doc-writer.md
â âââ skills/ # skills (diferente!)
â âââ CLAUDE.md # instruçÔes do projeto
âââ src/
âââ âŠ
đïž Projeto â .claude/agents/
Só neste projeto · vai no git · compartilhado com o time.
đ Global â ~/.claude/agents/
Todos os projetos · home do usuårio · agentes pessoais.
đ Ponte para a Trilha 2: Na Trilha 2 vocĂȘ cria esses arquivos â frontmatter completo, corpo real e o comando /agents para gerenciar o catĂĄlogo.
đ Documentação oficial â todos os campos
O frontmatter aceita mais campos alĂ©m dos quatro essenciais. A referĂȘncia abaixo cobre os mais usados.
đ Campos do frontmatter â referĂȘncia rĂĄpida
| Campo | ObrigatĂłrio? | Para que serve |
|---|---|---|
| name | â sim | Identificador Ășnico â minĂșsculas e hĂfens |
| description | â sim | Gatilho â quando o maestro aciona este agente |
| tools | recomendado | Ferramentas permitidas (lista separada por vĂrgula) |
| model | recomendado | Modelo do Claude que executa (haiku / sonnet / opus) |
| color | opcional | Cor do badge no FleetView |
| memory | opcional | Acesso Ă memĂłria: project / user / local / none |
| disallowed-tools | opcional | Bloqueia ferramentas especĂficas explicitamente |
Doc completa: use /help agents no Claude Code (offline) ou docs.anthropic.com/claude/code/agents. Campos avançados como memory e disallowed-tools desbloqueiam comportamentos extras cobertos na Trilha 3+.
Exemplo .md totalmente anotado
Leia este doc-writer.md com atenção às anotaçÔes em comentårio.
Cada linha estå rotulada com a seção a que pertence e a razão de estar ali.
--- â delimitador de abertura do frontmatter
name: doc-writer
â identificador â minĂșsculas, hĂfens, sem acento
description: Escreve documentação técnica e READMEs
a partir de cĂłdigo existente. Use quando o usuĂĄrio
pedir para documentar um módulo, função ou projeto.
â gatilho â 3 frases: o que faz, quando usar, sinal
tools: Read, Glob, Write
â menor privilĂ©gio â lĂȘ cĂłdigo, escreve .md, sem Bash
model: claude-sonnet-4-5
â sonnet: boa escrita, custo razoĂĄvel. Haiku bastaria?
NĂŁo â qualidade de prosa importa aqui.
--- â delimitador de fechamento do frontmatter
# corpo (tudo aqui Ă© o prompt enviado ao modelo)
You are a technical documentation writer.
â papel â identidade do agente (primeira coisa!)
When invoked:
1. Read the files listed in the task.
2. Identify the public interface (exports, classes, functions).
3. Write a clear README.md at the module root.
â passos â numerados, ação concreta em cada um
Output: a single README.md file with:
- One-sentence summary
- Installation (if applicable)
- Usage examples in code blocks
- API reference table
â saĂda â formato explĂcito; o maestro sabe o que esperar
Do not invent behavior that isn't in the source code.
Do not modify source files â only create/update .md files.
â limites â dois "do not" que previnem alucinação e dano
Prompts prontos (copie e cole)
TrĂȘs prompts para explorar a anatomia de um subagente que vocĂȘ jĂĄ tem â ou para inspecionar o que o maestro sabe.
Abra o arquivo .claude/agents/code-reviewer.md e
me explique cada campo do frontmatter â o que faz,
por que estĂĄ com esse valor e o que mudaria se eu
trocasse. Depois leia o corpo e identifique o papel,
os passos, a saĂda esperada e os limites.
Liste todos os subagentes disponĂveis em
.claude/agents/ e para cada um me mostre:
- o campo name e description
- as tools permitidas
- o modelo configurado
Formato: tabela markdown.
Leia o arquivo .claude/agents/meu-agente.md.
O maestro nunca aciona este agente. Analise a
description: ela Ă© especĂfica o suficiente?
Tem as palavras-gatilho certas? Sugira 3 versÔes
melhoradas da description, do mais genérico
ao mais especĂfico.
ExercĂcio â Rotule as partes
Abaixo estĂĄ um arquivo .md de subagente com 8 linhas numeradas.
Para cada linha, identifique: (a) em qual zona estå (frontmatter ou corpo), (b) qual campo ou seção do corpo ela representa.
â CritĂ©rio â vocĂȘ acertou se, para cada linha, disse:
- âZona: frontmatter (L1âL6) ou corpo (L7âL8).
- âCampo/seção: delimitador, name, description, tools, model, papel ou passos.
- âImpacto: o que quebra se essa linha sumir.
BĂŽnus: qual ferramenta em L4 Ă© a mais arriscada e por quĂȘ Bash exige cuidado.
Gabarito
â Resumo do mĂłdulo
PrĂłximo â Trilha 2:
Trilha 1 completa. Na Trilha 2 vocĂȘ cria na prĂĄtica: frontmatter completo (todos os campos), a description como gatilho, ferramentas e permissĂ”es, e o comando /agents para gerenciar seu catĂĄlogo.